Setembro – 2019

Passada a festança de agosto, veio o encontro de setembro com uma seleção da pesada. Digo isso porque a família da vez foi a 22, Strong American Ale, que tem sob suas asas os estilos Double IPA, American Strong Ale (fácil de confundir mesmo), American Barleywine e Wheatwine.

Não conseguimos encontrar um exemplar da American Strong Ale a tempo, então sua análise ficou para o encontro de outubro. Acompanhe nossos encontros pelo Instagram para ficar por dentro.

Double IPA

O estilo Double IPA surgiu para alimentar o desejo estadunidense por extremos. Com uma dose cavalar de lúpulo e uma potência maior do malte e do álcool, seus exemplares costumam ser os preferidos pelos hopheads, ou lupulomaníacos. A história conta que seu surgimento se deu em meados da década de 90 e ganhou muita força no início dos anos 2000, inclusive estimulando a criatividade dos cervejeiros para se destacarem nessa enorme onda que cobria o mercado.

Para nossos estudos, escolhemos a Polimango, uma colaborativa entre a sueca Omnipollo e a brasileira Tupiniquim. Em lata, sua apresentação é bastante bonita no copo. O aroma acusa a presença destacada do lúpulo, confirmada por um sabor bem definido e característico. Para conhecer melhor nossa impressão, acesse o Pinterest e veja a ficha de degustação.

Polimango!

A Omnipollo surgiu em 2010 das mãos do cervejeiro Henok Fentie e do artista plástico Karl Grandin. O conceito de cada cerveja passa pela união da receita com o movimento artístico proposto para ela, como contam os fundadores. Ciganos, suas receitas são fabricadas em cervejarias pelo mundo.

Já a Cervejaria Tupiniquim, natural de Porto Alegre, ganhou notoriedade após receber prêmios como melhor cervejaria do Brasil, além de destaques importantes em copas internacionais. Com cervejas de qualidade, fez dos seus rótulos de cervejas escuras uma marca registrada e tem expandido sua distribuição pelo país.

American Barleywine

Mais um estilo de outra escola que foi redescoberto com ingredientes estadunidenses e resultou em algo novo, ímpar. O primeiro rótulo registrado no estilo foi o Old Foghorn, da Anchor, mas o responsável por delinear as características foi o Bigfoot, da Sierra Nevada.

Conta a lenda que a Sierra Nevada enviou sua Barleywine para análise e o laboratório respondeu que ela estava muito amarga. A réplica foi “Obrigado!”, mostrando o interesse em criar no estilo um perfil lupulado mais presente.

Para nossos estudos selecionamos a cerveja Hair of the Bode, da Cervejaria Bodebrown. Deliciosamente complexa, a cerveja aplacou a vontade do mais sedento dos membros por cervejas com maior carga de informação. A ficha com os detalhes da nossa análise está no Pinterest.

Hair of the Bode linda no copo do Santerria!

A Cervejaria Bodebrown já é figurinha carimbada dos apreciadores de cerveja com rótulos renomados como Perigosa, Cacau IPA e a mundialmente famosa Wee Heavy. Natural de Curitiba, nasceu em 2009 já com o intuito de impactar o mercado. Com forte presença no mundo cervejeiro, fez diversas colaborativas com cervejarias internacionais, incluindo mexicanas e sulafricanas.

Wheatwine

Um dia, sentado em sua varanda e vendo o tempo passar, um cervejeiro se perguntou “por que não?” e resolveu experimentar. Com uma forte carga de malte de trigo e com frequência envelhecida em barris de madeira, essa cerveja representa de maneira bastante peculiar como se desenvolve a escola americana de cervejas.

A nossa escolha recaiu na colaborativa da Cervejaria Treze e da DUM, a Brazilian Wood II, envelhecida em barril de castanheira, que, por si só, já é um diferencial. Confesso que, quando escolhemos a família do BJCP, achamos que este seria o estilo mais difícil de encontrar. Acabou sendo o primeiro! E que cerveja! Mais detalhes na ficha no Pinterest.

Brazilian Wood II!

Da Treze, um pouco da sua história pode ser lido na postagem do Cerveja Como São As Coisas, já que sua página do Facebook não revela muita coisa. Mas destaco sua produção na planta da Dádiva e a criatividade que os sócios tem em suas criações.

Já sobre a DUM, provavelmente você conhece a famosa história da Petroleum. Mas a cervejaria vai além disso. Da panela, passaram para ciganos e montaram sua cervejaria. Caminharam em meio a muitas figuras do mundo cervejeiro no Brasil ainda na época em que “tudo era mato”.

Na próxima edição…

Encerramos a noite com a última garrafa da Gladiator Bestiarius, uma cerveja espetacular que não é mais fabricada. Mas foi apenas para celebrar a Confraria, não para estudar. Em votação, elegemos a família 24, Belgian Ale, para o próximo encontro, além da Strong. Saúde!

1 ano de Confraria 106!

Antes de mais nada, peço desculpas. O blog ficou abandonado por tempo demais e a culpa é minha. Afinal, sou responsável por manter as mídias sociais e o blog atualizados, mas só consegui manter o Instagram rodando. Vale a pena visitar para ver como foram os encontros ao longo dos meses.

Mea culpa feita, vamos à celebração! Sim, já completamos um ano de existência com um belo repertório, diga-se de passagem. Vamos aos números:

  • Durante os estudos, foram degustados 35 rótulos diferentes, cada um de um estilo;
  • Ao todo foram 10 famílias: Strong European Beer, Pale Malty European Lager, Strong Belgian Ale, IPA, Amber Bitter European Beer, Trappist Ale, British Bitter, Dark European Lager, Amber Malty European Lager e Dark British Beer, na sequência em que foram estudadas;
  • Passamos pelas quatro grandes escolas cervejeiras com bebidas produzidas em diversos países, como Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Inglaterra. No entanto, nossa preferência se deu por rótulos produzidos pela indústria nacional;
  • Mais de 30 notas aromáticas reforçadas pela análise cega dos frascos de kit de aromas (cortesia do confrade Cadu);
  • Mais de R$ 6.000,00 em cervejas.

Lembrando que estes são os números da confraria, exclusivamente. Os consumos individuais dos membros durante os encontros ampliam ainda mais a gama de estilos, rótulos, famílias e valores.

A Festa

Assim como a celebração de fim de ano, resolvemos fazer algo descontraído e que pudéssemos levar nossas famílias. Afinal, sem o apoio (e a paciência) deles, a Confraria não duraria nem um mês! Como nossa casa desde junho, o Santerria Bar nos recebeu mais uma vez para hospedar nossa comemoração.

Com um barril de uma APA da Barco, a questão dos “bebes” estava resolvida. Já a dos “comes” foi aplacada com tábuas de frios e bolinhos de todos os sabores (destaque pessoal para o bolinho de feijoada, espetacular). Não conseguimos fugir de falar sobre cerveja, mas dessa vez como um assunto casual, não como estudo.

Ao caminhar por entre as rodas e conversar com cada uma delas, se sentia muita alegria, satisfação e gratidão. Uma brincadeira na sala de aula, que virou uma ideia, que virou um plano, que virou um grupo unido, diverso e com um interesse em comum, a cerveja. Vida longa à Confraria 106!

O Futuro

Ainda temos muitas famílias do BJCP pela frente, então seguiremos com a mesma lógica desse último ano. Mas resolvemos acrescentar algumas atividades.

Como tem acontecido nos últimos encontros, vamos manter o estudo dos aromas. Os kits do Cadu já zeraram, mas ele tem a solução. A cada encontro, novas notas serão avaliadas às cegas para reforçar nossa memória olfativa e afinar nossas percepções.

Também criamos um encontro trimestral mais livre, ao estilo Bottle Share, possibilitando estudarmos estilos não listados, ou mesmo rótulos sem estilo definido. Além disso, queremos possibilitar revisitar um estilo ou família que já passamos, mas com cervejas diferentes, que trarão sensações eventualmente semelhantes, mas certamente novas.

Continuamos com nossas fichas de degustação no Pinterest. Essas fichas devem receber um novo design em breve, então acompanhe nossas pinagens por lá. E a grande novidade é o nosso perfil no Untappd! As notas atribuídas lá são uma média das notas dadas por cada participante da Confraria. Vale a pena conferir.

Agora você verá postagens com mais frequência por aqui, portanto te espero no próximo encontro!

Encontro de Outubro – 2018

Dia de encontro e de estudos na Confraria! Foi a vez da família 25 do BJCP, Strong Belgian Ale!

Como de praxe, nos reunimos na última quinta do mês no Cateto Pinheiros. Dessa vez, a família escolhida foi a 25 do BJCP, chamada Strong Belgian Ale. Fazem parte dessa família os estilos Belgian Blond Ale, Saison e Belgian Golden Strong Ale. Quem lembra do BJCP de 2008 deve ter se perguntado das Strong Dark Ale, mas agora elas fazem parte de outra família.

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De maneira geral, os estilos dessa família são claros, bem atenuados, equilibrados (eventualmente puxados pro amargo), forte influência da fermentação na análise sensorial e alcoólicos. De fato, a cerveja menos alcoólica desse encontro tinha 6,5% de álcool e todas tinham uma certa complexidade inerente às cervejas belgas.

Demos início, então, pela La Trappe Blond representando o estilo Belgian Blond Ale. Fabricada pela Bierbrouwerij de Koningshoeven, recebe o selo de cerveja trapista. De fato, o mosteiro responsável pela marca foi o primeiro a utilizar o selo trapista em suas cervejas. Curiosamente, não se trata de um mosteiro na Bélgica, mas sim nos Países Baixos.

Seguimos, então, para o segundo estilo da noite, Saison. O próprio Cateto nos recomendou a #9 da Cervejaria Bruxa. Um lançamento, com garrafas limitadas e adição de Brettanomyces. Localizada em Santa Catarina, a Bruxa montou a receita em parceria com a também catarinense Unika. Duas cervejarias bastante novas juntas para fazer um estilo belga. É bom ver que essa escola não foi esquecida por aqui.

Fechando a noite, tivemos a Kwak, da Brouwerij Bosteels, a mesma cervejaria que fabrica a DeuS e a Tripel Karmeliet. Hoje ela pertence ao grupo AB InBev. Houve um certo debate sobre o melhor estilo para se classificar a Kwak, já que, em muitos lugares, ela é tida apenas como Belgian Strong Ale, sem denominação de Golden ou Dark. No fim, a qualidade da cerveja deixou a questão em segundo plano.

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Como sempre, nossas fichas com as anotações de degustação estão no Pinterest e você pode nos acompanhar pelo Instagram! Para o próximo encontro, dia 29 de novembro, daremos início à família 21 com três variedades de IPA!

Família 9 do BJCP – Agosto de 2018

Apesar de já ter sido o terceiro encontro dos confrades e confreiras, este foi o primeiro onde tivemos definidos os estilos que estudaríamos. Vale dizer que a escolha foi feita em um período de temperaturas mais baixas e com a crença de que elas se manteriam assim. Não foi o que aconteceu, mas isso não diminuiu a experiência que tivemos.

A família de estilos escolhida para a noite foi a 9 do guia BJCP, ou seja, os estilos Doppelbock, Eisbock e Baltic Porter, três pesos-pesados da cerveja e que foram muito bem representados pelas escolhas realizadas.

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Começamos com a Paulaner Salvator, reconhecida historicamente como a criadora do estilo Doppelbock. Não a toa, diversos rótulos do estilo costumam utilizar o sufixo “-ator” em seus nomes, uma referência (eventualmente até uma homenagem) ao rótulo que iniciou esse caminho.

Foi muito interessante o comparativo com a segunda amostra da noite, a Schneider Weiss Aventinus Tap 6. É importante destacar que essa versão é, de fato, uma Weizendoppelbock, ou seja, traz em sua receita uma base de trigo maltado que se destaca bastante na análise sensorial. No entanto, diversas das características da Doppelbock estavam lá, tornando o conjunto bastante interessante.

Passamos para a terceira garrafa, também da Schneider, mas agora a versão Aventinus Eisbock. Apesar dessa receita também levar a base trigo, as características de uma cerveja do estilo estavam bastante evidentes. Para aqueles que apreciam cervejas mais fortes e complexas, um excelente exemplar.

Para fechar a noite, um dos estilos mais difíceis de se encontrar rótulos fiéis ao que o guia pede, principalmente quando o assunto é a adição de outros ingredientes. De fato, nosso exemplar não era exatamente uma Baltic Porter, mas sim uma versão Imperial. Com isso, ainda mais corpo e mais álcool fizeram parte da análise sensorial da Gladiator Bestiarius, da Shipyard.

Todas as nossas notas de degustação podem ser vistas em nosso Pinterest, onde colocamos a ficha de cada uma das cervejas. Ainda, você pode acompanhar nossos encontros pelo Instagram e ficar sabendo, de antemão, quais os rótulos serão apreciados!

Para o próximo encontro, em 27 de setembro, elencamos a família 4, composta de Munich Helles, Festbier e Helles Bock. Fique ligado!

Surge a Confraria 106

A primeira reunião oficial da Confraria 106 aconteceu ainda em junho com a presença de 7 dos 8 membros iniciais. Foram debatidas algumas diretrizes e sugeridas pessoas a serem convidadas.

Convites feitos e devidamente aceitos, no dia 26 de julho foi realizada a segunda reunião dos confrades com a presença de 9 dos 12 participantes que confirmaram interesse. Agora podemos dizer que constituímos uma verdadeira confraria.

Foram estipuladas as seguintes diretrizes:

  • O objetivo da confraria é ESTUDAR a cerveja, tanto do ponto de vista sensorial, quanto dos outros elementos que a cercam, sejam eles os insumos utilizados, o estilo referenciado, a escola a qual pertence, etc;
  • Não há o intuito de se avaliar profissionalmente as cervejas, mas sim de se debater as sensações individuais visando um crescimento de conhecimento coletivo. Por conta disso, não serão criadas fichas de avaliação, mas sim  fichas de DEGUSTAÇÃO;
  • Por hora, as harmonizações serão sugeridas. Existe uma vontade em se aprofundar nos estudos de harmonização, mas ficará para um segundo momento;

Outros itens foram igualmente debatidos e definidos, como as questões de participações especiais, papéis desempenhados por cada membro e afins. Um começo sólido que será a base de muitos avanços, com toda a certeza.

O próximo encontro já tem data e local definidos, bem como a categoria listada no Guia BJCP 2015. Você pode acompanhar nossos encontros via Instagram e analisar nossas fichas de degustação no Pinterest. Também manteremos uma postagem regular de acordo com os encontros realizados.

Um brinde à Confraria 106!